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9 PASSOS ESSENCIAIS PARA SAÍDA DO BRASIL

Sair do país para recomeçar a vida em outro lugar é uma decisão que envolve muito mais do que simplesmente comprar uma passagem e fazer as malas. É preciso ter clareza de objetivos, buscar informações sobre vistos, planejar a parte tributária e até mesmo pensar em aspectos emocionais que influenciam a adaptação. Além disso, é fundamental considerar como ficará a sua situação bancária, o eventual fechamento de contas no país de origem, a transferência de bens e o impacto dessa mudança para familiares e amigos.

Neste artigo, apresento um roteiro com 9 passos fundamentais para quem quer dar esse salto de forma segura, minimizando riscos e surpresas desagradáveis. Cada passo foi detalhado para esclarecer ao máximo as principais dúvidas, tornando o processo de transição mais claro e direto ao ponto. Boa leitura!

Visão Geral: Por que e como se preparar

A primeira etapa para sair do país de forma definitiva é a reflexão sobre os motivos que o levam a tomar essa decisão. Antes de começar a ver passagens, vistos ou destinos, dedique um tempo para compreender suas razões e expectativas.

  • Motivos e Metas Pergunte a si mesmo se a saída se dá por questões de qualidade de vida, liberdade econômica, redução de impostos, oportunidade de trabalho ou mesmo insatisfação com a conjuntura atual do seu país. Ter clareza quanto ao “porquê” ajudará a definir o “como”.
  • Planejamento de Longo Prazo Muitas pessoas subestimam o valor de um planejamento sólido. Um passo em falso na área jurídica ou fiscal pode gerar multas e complicações futuras. Defina um cronograma mínimo de ações e prazos. Pense onde você quer estar em 1 ano, 5 anos e até mesmo 10 anos após a mudança.
  • Informação e Preparação Mental Ler sobre o país de destino, conversar com pessoas que já fizeram o mesmo movimento e estudar línguas estrangeiras são parte essencial do preparo. Quanto melhor você se informar, menores serão as chances de decepção ou estresse ao chegar ao novo lar.

Bancos Internacionais: Organize suas Finanças

Ter uma estrutura financeira bem-organizada é uma das peças-chave para o sucesso de qualquer mudança internacional. Caso você não tenha contas no exterior, a hora de abrir essas contas é antes de você efetivamente deixar o seu país de origem. Isso dá maior flexibilidade para movimentar recursos e protege você de eventuais restrições bancárias futuras.

  • Abra Contas no Exterior Alguns países possuem sistemas bancários mais abertos, facilitando o processo de abertura de conta para estrangeiros (por exemplo, Geórgia ou Cingapura). Nesse processo, procure bancos ou instituições financeiras reconhecidas. Leia atentamente os requisitos para abertura de contas a distância, incluindo possíveis exigências de documentação ou de depósitos mínimos.
  • Diversifique Recursos É prudente abrir mais de uma conta em bancos diferentes e, se possível, em diferentes moedas. Por exemplo, ter uma conta em dólares e outra em euros pode ser benéfico para fins de diversificação e proteção cambial. Além disso, alocar recursos em diferentes locais garante maior segurança contra instabilidades econômicas ou mudanças repentinas na legislação de um determinado país.
  • Regras do Banco de Origem Verifique se o banco onde você mantém suas contas atuais possuem contas para clientes morem fora do país. Algumas instituições não possuem e irão encerrar ou restringir seus serviços se detectarem que o cliente não reside mais localmente. Informe-se sobre taxas adicionais para uso internacional, pois muitas vezes os custos de manutenção podem se tornar inviáveis no longo prazo.

Pesquisa de Destinos: Crie Sua Lista de Países

Antes de decidir para onde ir, é importante fazer uma triagem inicial de países que atendam às suas prioridades. Sair do país não é só uma questão financeira ou fiscal; fatores como cultura, idioma, clima, segurança, educação e saúde são igualmente relevantes.

  • Estilo de Vida, Liberdade e Impostos Faça uma lista de três a seis países que ofereçam aquilo que você busca. Alguns lugares têm cargas tributárias mais leves, mas podem não ter a infraestrutura de saúde ou de educação que você gostaria para sua família. Outros oferecem qualidade de vida excelente, porém possuem leis de imigração mais complexas. Há países onde você consegue manter seu estilo de vida, países com mais liberdade para falar o que pensa ou para praticar o esporte que você escolher. E há países onde as restrições são maiores, o que pode causar desconforto e até depressão. E se o seu objetivo é acumular patrimônio viver em um país onde os impostos são altos não irá te ajudar a crescer o patrimônio rapidamente.
  • Viagem de Reconhecimento Sempre que possível, visite o local antes de se mudar de vez. Passe ao menos algumas semanas, se possível dois ou três meses, no país para vivenciar o dia a dia, conversar com residentes, conhecer os bairros e testar serviços como transporte, internet e atendimento médico. Se não for possível, opte pelo destino que melhor se encaixe nas suas prioridades e planeje um período de teste de pelo menos um ano. Deixe tudo preparado para um possível retorno ao Brasil. Nem sempre as coisas dão certo e a tática de “queimar os barcos” como os vikings faziam é uma tática do tudo ou nada. Você não pretende perder tudo, não é verdade? Então, foco no melhor, mas prepare-se para o pior.
  • Facilidades Locais Examine questões como custo de vida, oportunidades de trabalho, acesso a serviços de saúde, redes de ensino (caso tenha filhos) e até o ritmo de vida local. Quanto mais informações coletar, melhor será a sua capacidade de adaptação ao chegar. Verifique também como funciona o acesso a produtos e serviços que são imprescindíveis para o seu estilo de vida. Sim, para o seu estilo de vida. Porque sempre há possibilidades de se adaptar melhor onde você é mais bem recebido. Viver em um local onde os imigrantes são escorraçados não é uma coisa boa. Muitas pessoas que imigram acabam em depressão por viver em locais onde neva 6 meses por ano ou porque o dia tem poucas horas. Esteja seguro de que o local que escolheu não irá transformar a sua vida em um inferno astral.

Permissões de Residência: Evite Problemas Legais

A questão legal não pode ser subestimada. Muitos países possuem regras rígidas de imigração e controle de fronteiras. Ignorar essas regulamentações é uma maneira certa de enfrentar problemas, desde multas até deportações.

  • Vistos e Autorizações Informe-se sobre o tipo de visto necessário para permanecer no país escolhido. Pode ser um visto de trabalho, estudos, investimento ou mesmo um visto específico para aposentados. Cuidado com a validade e as regras de renovação. Tenha em mente que, em muitos lugares, o simples fato de “estar turistando” não lhe dá direito de residir de forma definitiva. E entrar em um país com visto de turista e “ficar” morando lá pode frustrar seus planos de viver, ir e voltar, sair para visitar o Brasil e voltar para continuar ganhando seu dinheiro, ou seja, o melhor é ser legalizado. Planeje isso.
  • Cidadanias por Ascendência ou Investimento Verifique se você tem a possibilidade de solicitar cidadania por ascendência (caso tenha pais ou avós de outra nacionalidade). Em alguns países, também existem programas de cidadania por investimento, que exigem a compra de imóveis ou títulos públicos, como acontece em Malta ou em outras nações europeias e caribenhas. E se você tem direito à residência porque tem um passaporte do país não quer dizer que você pode ir e vir como quiser. Existem regras. Um brasileiro que tem passaporte português, por exemplo, ao entrar em Portugal para turismo não é o mesmo que um português que saiu a passeio voltar de viagem. Você é um turista porque sua residência é no Brasil. Ao sair do Brasil com animo de ficar em Portugal por mais de 12 meses você tem que dar saída do país no Brasil e se cadastrar com residente em Portugal. Isso significa tirar documentos que os residentes portugueses têm, como a carteira de saúde e abrir contas em bancos, fornecedoras de luz, água e gás, que irão atrair a sua residência para Portugal. Esteja seguro de estar fazendo tudo certo.
  • Prazos e Obrigações Em regiões como o Espaço Schengen (na Europa), o limite comum é de 90 dias de permanência para turistas em cada período de 180 dias. Descumprir essas regras pode resultar em multas e na proibição de entrada em todo o bloco por longos períodos. Sempre faça o processo de forma legal e documentada para evitar contratempos no futuro.

Novas Obrigações Fiscais: Planeje Seus Impostos

A redução de custos tributários é uma das razões que motivam muitas pessoas a mudar de país. Entretanto, é preciso estar atento às regras locais para não acabar surpreendido com cobranças inesperadas, mesmo em destinos conhecidos como “paraísos fiscais”.

  • Tributação Local Cada país tem suas próprias leis tributárias e, em muitos casos, isenções ou regimes especiais podem não valer para todos os tipos de renda. Dividendos, royalties, ganhos de capital ou rendas ativas no exterior podem sofrer taxas específicas. Por isso, informe-se bem sobre tratados de bitributação e normas de imposto de renda no destino escolhido.
  • Situação de Empreendedores e Investidores Se você possui empresa ou recebe renda de aplicações financeiras, verifique se o país escolhido tem acordos que minimizam a incidência de tributos sobre esses rendimentos. Considere também a possibilidade de manter estrutura empresarial em paraísos fiscais, caso faça sentido para o seu modelo de negócios. No entanto, fique atento a obrigações de divulgação de informações (compliance) que alguns países exigem.
  • Cuidado com o Marketing do “0%” Há localidades que divulgam amplamente a isenção de impostos, como Dubai. Porém, determinados tipos de rendas (por exemplo, dividendos de ações americanas) podem ser tributados de acordo com a legislação dos Estados Unidos ou mesmo sofrer retenção na fonte. Assim, pesquise profundamente cada modalidade de renda para evitar surpresas desagradáveis.
  • Há países onde você consegue adquirir a nacionalidade com custo baixo, ou mesmo sem custo algum, enquanto outros tem restrições e você irá terminar vivendo como ilegal, o que complica sobremaneira a sua vida no país. Com o planejamento correto você consegue se regularizar com custo baixo ou até sem custos.

Obrigações Fiscais Antigas: Como Sair do Sistema do Seu País

Além de compreender as obrigações no país de destino, é crucial encerrar, ou ao menos minimizar, pendências fiscais no país de origem. Não basta “simplesmente ir embora”, questões como a declaração de imposto de renda precisam ser tratadas adequadamente.

  • Saída Fiscal Muitos países oferecem um procedimento específico de “saída fiscal”. O objetivo é informar às autoridades que você está deixando de ser residente e, portanto, não estará mais sujeito à tributação sobre sua renda mundial. Em geral, são necessários documentos adicionais e o preenchimento de declarações especiais, mas em alguns casos, como no caso dos EUA, existe um imposto sobre o patrimônio acumulado no país durante a residência que irá ser cobrado ao sair do país sobre o total do patrimônio que exceder US$2Mi. Muitos países cobram esse “exit tax”. Procure ajuda especializada, se necessário.
  • Continuidade de Negócios Se você mantém negócios ativos no país de origem, verifique se haverá tributação sobre lucros, royalties ou aluguéis recebidos localmente, mesmo que você não resida mais lá. Dependendo do caso, pode ser mais eficiente mudar a estrutura jurídica dos negócios, vender participações ou fechar as portas de forma definitiva, caso isso se torne oneroso. É comum montarmos uma holding para colocar o patrimônio do Brasil dentro para reduzir a tributação do não residente, por exemplo, mas não funciona para todos os casos, por isso o planejamento é tão importante.
  • Tempo de Permanência Muitos países determinam que, se você passar um certo número de dias em seu território durante o ano, ainda será considerado residente fiscal. Consulte as regras e, se for o caso, organize-se para não ultrapassar esses limites, a menos que queira manter o vínculo fiscal ativo. Os EUA têm um sistema de contagem de dias complexo, que leva em conta dias nos 3 últimos anos, e que na média dá 120 por ano. Se você passar mais de 120 por ano nos EUA irá acabar tendo que pagar impostos sobre tudo o que ganha no mundo todo para o “Tio Sam”. Outros países, como o Brasil, tem uma regra (além da tal regra dos 184 dias por ano) que fala do centro da vida da pessoa. Eles consideram que se o centro da sua vida está no Brasil, então você deve impostos ao governo brasileiro.

Comunicação Familiar e Transição de Pertences

A mudança não afeta apenas você, mas também seu círculo social e familiar. É vital comunicar-se de forma clara com todos que serão impactados por essa transição, especialmente se você tiver filhos ou dependentes.

  • Diálogo Aberto Explique suas razões para sair do país e escute as preocupações das pessoas próximas. O cônjuge ou os filhos podem ter dúvidas sobre escolas, rotina, amizades e até mesmo sobre como se adaptar a uma nova cultura. Alinhar expectativas reduz problemas de convivência e ajuda na adaptação de todos.
  • Casa, Bens e Mudança Avalie se vale a pena vender seus imóveis, veículos e outros bens antes de sair. Em alguns casos, é preferível alugar o imóvel para manter uma renda passiva e um ponto de apoio no país de origem. No que diz respeito à mudança, considere se compensa financeiramente levar todos os pertences ou se um estilo de vida mais minimalista será melhor no novo destino.
  • Animais de Estimação Se pretende levar pets, pesquise com antecedência as regras de transporte internacional, documentação veterinária (vacinas, certificados) e possíveis exigências de quarentena no país de destino. Cada local tem suas próprias regras, e o descumprimento pode levar à proibição de entrada do animal ou até mesmo à devolução do pet ao país de origem.

Ajuste de Mentalidade: Primeiros Meses no Exterior

Mesmo com todo o planejamento, a adaptação em outro país pode ter desafios. É comum sentir saudade, estranheza com os costumes locais e até dúvidas sobre ter feito a escolha certa. Prepare-se psicologicamente para uma fase de transição que exige paciência e resiliência.

  • Ano de Teste Antes de declarar que o destino escolhido não atendeu às expectativas, viva pelo menos um ano no novo local. Esse período é importante para superar a fase inicial de adaptação, que costuma ser a mais difícil. Caso não se adapte, você sempre pode recorrer ao “plano B” estabelecido na fase de pesquisa de destinos.
  • Nova Rotina e Networking Desenvolva uma rotina que inclua atividades locais: frequente mercados, parques, eventos e grupos de expatriados. Esse contato é essencial para aprender sobre costumes, leis não escritas e formas de convivência que só se descobrem na prática. Além disso, participar de associações, clubes ou atividades de voluntariado pode acelerar a formação de amizades e redes de apoio. Ter hobbies ou frequentar cultos também são formas de facilitar a adaptação. Procure de engajar em atividades sociais que isso irá facilitar sobremaneira a sua adaptação.
  • Planejamento de Saúde Verifique como funciona o sistema de saúde do novo país. Alguns destinos possuem ótimos programas públicos de assistência médica, enquanto outros exigem seguro privado. Considere a possibilidade de adquirir um seguro internacional, principalmente se você estiver em países onde a saúde privada é muito cara ou onde a rede pública não oferece a cobertura que você precisa.

Consolidação: Avalie e Ajuste Rumo

Passado o período inicial de adaptação, chega a hora de avaliar o que deu certo e o que precisa ser ajustado para consolidar sua nova vida. Essa etapa é crucial para evitar a estagnação ou o arrependimento tardio.

  • Verificação do Plano Após alguns meses, faça uma análise minuciosa: Como estão suas finanças? Você conseguiu cumprir as obrigações fiscais e legais tanto no país de destino quanto no país de origem? A qualidade de vida está dentro do esperado? Quais os pontos positivos e negativos que se destacaram?
  • Possíveis Pivôs Mesmo com planejamento, algumas coisas podem sair diferente do esperado. Custos mais altos, dificuldade de adaptação cultural ou a falta de oportunidades de trabalho podem motivá-lo a reavaliar sua escolha. Nesse caso, retome sua lista de países e verifique se é hora de partir para um novo destino ou se você pode resolver as pendências onde está.
  • Siga em Frente Se a conclusão for positiva e você se sentir integrado, é hora de consolidar sua residência oficial e estabelecer novos objetivos. Aproveite para estudar oportunidades de investimento no país, aprimorar o domínio do idioma e estreitar laços com a comunidade local. Caso não tenha se adaptado, use o que aprendeu sobre imigração, processos de vistos e realocação para fazer uma transição mais tranquila para outro lugar.

Resumindo

Sair do seu país de forma definitiva não é apenas uma aventura; é um projeto de vida que exige planejamento meticuloso, conhecimento aprofundado das regras tributárias e legais, além de sensibilidade para lidar com as questões familiares e emocionais envolvidas.

Este roteiro de 9 passos busca ser o mais completo e direto possível, contemplando desde a pesquisa de destinos e abertura de contas em bancos internacionais até questões de adaptação cultural e consolidação da nova rotina. Cada caso, porém, é único: é importante lembrar que aspectos como profissão, renda, idioma, estrutura familiar e objetivos pessoais podem determinar caminhos diferentes. Você precisará desenvolver uma boa dose de resiliência e flexibilidade, que é essencial para transformar o desafio em aprendizado e crescimento pessoal.

Portanto, ao concluir a leitura deste artigo, tenha em mente que contar com assessorias legais e contábeis, assim como conversar com outros expatriados, pode fazer toda a diferença para evitar erros custosos.  Eu posso te ajudar, comente “Ajuda” e eu te ajudo.

Dica Extra

Mantenha-se sempre atualizado sobre mudanças na legislação dos países que você tem em vista. Muitos lugares alteram suas políticas fiscais, de imigração ou exigências para visto de residência com frequência. O que é verdade hoje pode não valer daqui a seis meses. Por isso, a busca por informações confiáveis e recentes é um processo contínuo. Eu tenho um grupo de acompanhamento para isso, se quiser participar me avise.

Com o preparo adequado e a mentalidade certa, sair do país pode ser o passo que faltava para você alcançar novas oportunidades, ampliar sua liberdade e trilhar um caminho mais alinhado aos seus valores e objetivos de vida. Boas decisões e boa viagem rumo ao seu novo lar!

Abraços,

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O maior presente que um pai pode ganhar não cabe numa caixa.

Hoje, no Dia dos Pais, celebramos com abraços, almoços em família e, claro, presentes. Uma gravata, um perfume, aquele livro que ele queria. São gestos de carinho que materializam nosso amor e gratidão. Mas, se pararmos para pensar, esses presentes não se comparam aos que recebemos de nossos pais: os valores, a educação, o senso de segurança.

E é nesse espírito de proteção e visão de futuro que reside o maior presente que um pai pode, ativamente, construir para seus filhos. Um presente que não se desgasta, não sai de moda e, o mais importante, não se torna motivo de discórdia.

O Desafio Silencioso de Quem Constrói

Todo pai que empreendeu, que batalhou para construir um patrimônio, seja ele qual for, carrega uma preocupação silenciosa: “O que acontecerá com tudo isso depois de mim? Meu trabalho vai unir ou separar meus filhos?”.

A triste realidade é que muitas famílias veem o fruto de uma vida inteira de trabalho se perder em processos burocráticos, disputas intermináveis e cargas tributárias que poderiam ser evitadas. O legado, que deveria ser de união, vira um fardo.

O Presente é um Plano: A Estrutura que Protege

É aqui que entra esse “presente que não cabe na caixa”: o planejamento sucessório e patrimonial. E uma das ferramentas mais eficazes para isso é a constituição de uma Holding Familiar.

Pense na holding não como um termo jurídico complexo, mas como um “cofre” inteligente. Em vez de deixar bens, imóveis e participações em empresas espalhados e sujeitos a um inventário caro e demorado, o pai organiza tudo dentro dessa estrutura.

O que isso significa na prática?

  • Paz e União: As regras do jogo são definidas em vida, com calma e clareza. Isso evita que os filhos tenham que tomar decisões difíceis em um momento de luto, minimizando o potencial de conflitos.
  • Proteção do Patrimônio: A estrutura protege os bens da família de reveses financeiros, credores ou outros riscos empresariais. É criar uma fortaleza em torno do que foi arduamente conquistado.
  • Continuidade e Profissionalização: Garante que os negócios continuem a prosperar, com uma transição de gestão suave e profissional para a próxima geração ou para administradores escolhidos.
  • Eficiência: Reduz drasticamente os custos e a demora de um inventário, garantindo que o patrimônio chegue aos herdeiros de forma mais íntegra e rápida.

Um Ato de Amor Estratégico

Organizar o futuro da família através de uma holding não é sobre dinheiro. É sobre transformar o amor de hoje em segurança, paz e união para o amanhã. É o capítulo final da grande obra de um pai: garantir que seu legado não seja apenas o que ele construiu, mas a harmonia que ele deixou.

Neste Dia dos Pais, a maior homenagem que podemos prestar e receber é a tranquilidade de um futuro bem planejado.

Feliz Dia dos Pais a todos que constroem pontes para o futuro!

E se você ainda não deu seu presente para si mesmo, a tranquilidade de saber que eles estarão seguros e em paz após a sua partida, entre em contato comigo e vamos conversar.

Abraços,

Roberto Campos – Contador

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O Atalho para Fechar Holdings: Conceitos de Contabilidade

Um advogado de planejamento patrimonial que entrega apenas um contrato social assinado é um mero executor de documentos. Você não está vendendo papel. Você está vendendo uma estrutura que funciona no mundo real!

Você já se viu em uma negociação de planejamento patrimonial que o cliente trouxe o contador? Foi difícil? Agora imagina se para cada pergunta ou contestação do advogado você tivesse já respostas prontas, técnicas. Teria sido muito mais fácil, não é?

Pois é, para fazer uma blindagem funcionar, a contabilidade não é um enfeite, é a ferramenta de trabalho principal. Quem domina o básico do “contabilês” deixa de ser um mero apertador de parafusos para se tornar um conselheiro estratégico de elite. O resultado disso? Você fecha contratos melhores, com mais segurança e previsibilidade. Vá para onde você é melhor tratado, e o cliente trata melhor quem resolve o problema dele.

O Essencial, Sem Enrolação

Vamos direto ao ponto. A contabilidade muda o jogo na hora de vender holdings por três motivos claros. Se você ignorar um deles, o Leão te come:

  • Autoridade Total: Quando você fala de Balanço Patrimonial (o raio-x dos bens e dívidas da empresa) e regimes tributários com naturalidade, você transmite uma segurança inabalável ao cliente. Isso impõe respeito até mesmo no contador.
  • Estratégia na Mão: Sem números, seu argumento de venda é uma promessa vaga. Com números, você prova o valor do seu serviço e coloca dinheiro no bolso do cliente.
  • Menos Risco de Ser Autuado: Uma holding mal desenhada do ponto de vista fiscal pode ser enquadrada como simulação e gerar autuações pesadíssimas. A contabilidade correta evita que você e seu cliente tenham dor de cabeça. Pare de tomar decisões estúpidas.

O “Contabilês” que Você TEM que Dominar (com Tradução Imediata)

Você tem que saber isso para não ser passado para trás:

  • Integralização de Capital: É o ato de tirar imóveis, participações societárias e outros bens da Pessoa Física e colocar dentro da holding. Tradução: transferir o patrimônio para a empresa, da forma correta e registrada.
  • Balanço Patrimonial (BP): Mostra o que a empresa tem (ativos/o seu tesouro) e o que ela deve (passivos/as suas dívidas) em uma data específica. Tradução: O mapa do tesouro e das dívidas.
  • Demonstração de Resultado (DRE): Apresenta o que a empresa ganhou e gastou em um período. Tradução: O placar do jogo, mostrando se houve lucro ou prejuízo.

Regimes Tributários: A Escolha que Paga a Conta.

A escolha errada pode custar 27,5% ou mais:

  • Lucro Presumido: O imposto é calculado sobre uma margem de lucro que a lei já presume. É o mais usado em holdings patrimoniais pela sua previsibilidade e simplicidade. Esse é o básico.
  • Lucro Real: O imposto é complexo e incide sobre o lucro contábil real, após ajustes. Exige controle contábil obsessivo, mas há situações em que é a melhor escolha!
  • Simples Nacional: Geralmente, não é uma opção viável para quem administra bens próprios em holdings, mas cabe em alguns casos, você precisa entender quais.

A Prova de Fogo: Não Pague Mais Impostos a Nenhum Governo!

Você não fecha a holding se o cliente não entender o número. Vamos provar o valor em dinheiro no bolso:

  • Cenário: Cliente com R$ 20.000,00 de receita mensal de aluguéis.
  • Tributação na Pessoa Física (PF): Alíquota do Imposto de Renda: pode chegar a chocantes 27,5%. Imposto mensal aproximado: R$ 5.500,00. Imposto anual: R$ 66.000,00. Eles querem tomar 27,5% do seu patrimônio!
  • Tributação na Holding (PJ no Lucro Presumido): Carga tributária federal efetiva (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS): cerca de 11,33% (pode variar). Imposto mensal aproximado: R$ 2.266,00. Imposto anual: R$ 27.192,00.

Economia Anual Estimada: R$ 38.808,00.

Este cálculo simples, aproximado, demonstra que uma proposta de “vantagem tributária” em dinheiro vivo vende mais do que simplesmente dizer que ele vai economizar. Com planilhas bem feitas montadas para você demonstrar essa economia, você calcula os impostos e simula todas as situações.

O Passo a Passo para Multiplicar Contratos

Para vencer na vida, você precisa se tornar uma pessoa OBSESSIVA por resultados:

1. Comece com um Diagnóstico de Guerra Mapeie as dores reais: O inventário será caro? Há conflitos entre os herdeiros? O patrimônio está em risco pela atividade empresarial? Amarre cada dor a um benefício que possa ser medido. Você tem que sentar na mesa certa!

2. Traduza Juridiquês em Benefícios Claros Em vez de usar termos que ninguém entende, como “cláusula de inalienabilidade”, diga a coisa clara: “esta regra impede que seus herdeiros vendam o imóvel que você quer preservar na família”. O cliente compra o impacto, não a tese jurídica.

3. Trabalhe em Dupla: Advogado + Contador A solução incompleta é um risco. A parceria é a chave.

  • Advogado (O Arquiteto): Define a estratégia, o contrato social, as regras de governança e as cláusulas de sucessão.
  • Contador (O Engenheiro): Valida a viabilidade fiscal, executa a escrituração e cuida das obrigações acessórias que mantêm a “blindagem” de pé.

Quando você e o contador apresentam uma solução conjunta desde o início, o cliente percebe que está diante de uma equipe de especialistas — e paga muito mais por isso.

Apresente uma Proposta que Fecha Negócio Sua proposta tem que ser um ultimato. Ela deve incluir: escopo, cronograma, os entregáveis, a estimativa de economia (use a simulação!) e um próximo passo definido. Termine com uma chamada para ação imediata, como agendar uma reunião de 30 minutos.

Dê o Próximo Passo e Domine o “Contabilês” que Vende

Gostou dessa abordagem? A segurança para apresentar esses números e conceitos não cai do céu, ela vem do conhecimento prático.

Se você quer parar de perder contratos de holding por não conseguir provar o valor do seu serviço em números, eu posso te ajudar a rebotar o sistema!

Participe da minha Aula Expressa: Conceitos Contábeis para Advogados de Planejamento Patrimonial. Uma aula direta ao ponto, com modelos de simulação e checklists prontos para você usar amanhã. É totalmente grátis. Sabe o horário? Segunda, às 18h, no meu canal do Youtube. Pague menos impostos, legalmente!

Abraços,

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ITBI, ITCMD, Dividendos e Cripto: o novo mapa do tributo no Brasil

A agenda tributária brasileira está em um ponto de inflexão histórico. Um conjunto de mudanças legislativas, judiciais e de interpretação fiscal, amadurecendo em ritmo acelerado, promete redesenhar as regras do jogo para famílias, holdings imobiliárias, investidores e não residentes. Ignorar este momento não é uma opção.

Este artigo é um guia prático e aprofundado para navegar neste novo cenário. Explicamos o que está mudando, por que está mudando e, o mais importante, o que você deve fazer a partir de hoje para se preparar.

O Que Está Mudando — e Por Quê?

Nos próximos meses, o tabuleiro tributário brasileiro será reorganizado por cinco frentes de alta relevância, impactando diretamente o planejamento patrimonial e sucessório.

  • STF – Tema 1.348 (ITBI na integralização de imóveis): O Supremo Tribunal Federal decidirá os limites da imunidade de ITBI no aporte de imóveis para formação de capital social. A questão central é se essa imunidade é total ou se pode ser afastada quando a empresa receptora tem atividade preponderante imobiliária. O julgamento já foi iniciado e, por ter repercussão geral, sua conclusão vinculará todas as instâncias do judiciário.
  • PLP 108/2024 (Regulamentação da Reforma – ITCMD e IBS): Dando seguimento à Emenda Constitucional 132 (Reforma Tributária), este projeto (baseado nas discussões do atual PLP 68/2024) detalha a governança do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e, crucialmente, redesenha o ITCMD com progressividade obrigatória, apuração pelo valor de mercado e tributação de bens no exterior.
  • Interpretação do Fisco (RC 31158/2025 – SEFAZ/SP): Os fiscos estaduais estão se tornando mais rigorosos. Uma recente e emblemática consulta em São Paulo estabeleceu que a permuta de imóveis com valores de mercado diferentes, sem compensação financeira (‘torna’), configura uma doação dissimulada, sujeita à incidência de ITCMD sobre a diferença.
  • PL 1.087/2025 (Reforma do IRPF e Dividendos): Esta proposta busca aliviar a tributação sobre o trabalho (isenção até R$ 5.000/mês) e, em contrapartida, reintroduz a tributação de lucros e dividendos, discute a extinção do JCP e introduz o conceito de um IRPF Mínimo.
  • PL 1.303/2025 (Ajustes na tributação de investimentos e cripto): Evoluindo a partir da Lei 14.754/2023, este projeto de lei visa aprimorar e padronizar a tributação de aplicações financeiras e ativos virtuais, fechando brechas para arbitragem entre investimentos no país e no exterior.

Esses movimentos têm uma lógica clara e conectada: aumentar a isonomia, reduzir distorções, fechar brechas legais e tributar rendas e transações hoje isentas ou pouco alcançadas, com foco crescente na realidade econômica dos fatos, a famosa frase da Receita: A predominância da essência sobre a forma.

STF – Tema 1.348: A Imunidade do ITBI na Corda Bamba

  • O que está em jogo: A Constituição Federal (art. 156, §2º, I) garante imunidade de ITBI na transferência de imóveis para integralizar o capital de uma empresa. O debate que chegou ao STF é se essa regra é absoluta. Municípios argumentam que, se a empresa compradora tem como atividade preponderante a compra, venda ou aluguel de imóveis, a imunidade não se aplicaria.
  • Status: O julgamento em repercussão geral foi iniciado, mas foi suspenso por um pedido de vista do Ministro Dias Toffoli. A decisão final definirá o padrão para todo o país. Uma decisão favorável aos contribuintes barateia a criação de holdings; uma decisão contrária encarece a reorganização patrimonial.
  • Implicação Prática: A criação de holdings familiares para proteger e organizar o patrimônio imobiliário pode se tornar mais cara. O custo do ITBI (que pode chegar a 3% do valor do imóvel) terá que ser colocado na conta do planejamento.

PLP 108/2024: O Fim da “Arbitragem do ITCMD”

  • O que o texto faz: Este projeto ataca o ITCMD em três frentes decisivas: Progressividade Obrigatória: Acaba a liberdade para estados aplicarem alíquotas fixas. Quanto maior o valor da herança ou doação, maior a alíquota. Base de Cálculo = Valor de Mercado: O texto busca padronizar a avaliação de bens e direitos pelo seu valor real de mercado. Isso combate a prática de declarar quotas de holdings por seu valor contábil. Tributação de Bens no Exterior: Detalha a regra de que heranças e doações de bens situados no exterior serão tributadas pelo estado de domicílio do falecido ou doador.
  • Impacto: O planejamento sucessório se torna mais caro e exige muito mais rigor técnico. A avaliação de empresas (valuation) deixa de ser um item secundário e passa a ser o coração de qualquer planejamento.

O Fisco Paulista e a “Doação Oculta” na Permuta de Imóveis (RC 31158/2025)

E a tendência de fiscalização baseada no valor de mercado não é apenas um projeto futuro, já é uma realidade. A Resposta à Consulta nº 31158/2025 da Secretaria da Fazenda de São Paulo é um divisor de águas.

  • O que diz a decisão: Se dois imóveis com valores de mercado diferentes são permutados e não há pagamento de “torna” (compensação em dinheiro) para equalizar a operação, a diferença de valor é considerada uma doação.
  • Tese Central: Para o Fisco, a ausência de torna evidencia a liberalidade de quem entregou o bem mais valioso. Portanto, sobre essa diferença de valor, incide ITCMD. O contribuinte é a parte que recebeu o imóvel de maior valor.
  • Implicação Prática Imediata: Operações de permuta entre familiares ou empresas do mesmo grupo, frequentemente usadas em reorganizações patrimoniais, entram no radar do Fisco. A simples troca de matrículas não basta mais. É mandatório ter laudos de avaliação para ambos os imóveis. Se os valores forem diferentes, a diferença deve ser declarada como doação e o ITCMD correspondente, recolhido. Embora seja uma decisão de São Paulo, ela sinaliza uma tendência de interpretação que pode ser seguida por outros estados.

PL 1.087/2025: O Retorno do Imposto sobre Dividendos e o IRPF Mínimo

  • Eixo 1 — Fim da Isenção de Dividendos: A medida mais impactante é a reoneração de lucros e dividendos. O modelo em discussão prevê uma retenção na fonte de 10% para Pessoas Físicas sempre que a soma de seus rendimentos isentos (dividendos, etc.) ultrapassar R$ 50.000 por mês, por CPF.
  • Eixo 2 — O Fim do JCP e o IRPF Mínimo: Atrelado à volta dos dividendos, discute-se a extinção do Juro sobre Capital Próprio (JCP). Adicionalmente, o projeto flerta com a criação de um “IRPF Mínimo”, para garantir que contribuintes de altíssima renda paguem um valor mínimo de imposto.
  • Impacto: Empresários precisarão reavaliar completamente suas políticas de remuneração. A clássica estratégia de “pró-labore baixo e dividendos altos” pode não ser mais vantajosa.

PL 1.303/2025: A “Fase 2” da Tributação de Investimentos e Criptoativos

  • Conteúdo: A Lei 14.754/2023 foi a “Fase 1”. Este novo PL seria a “Fase 2”, aprofundando a regulamentação. O objetivo é padronizar ainda mais as bases de cálculo e criar obrigações de reporte para intermediários (como exchanges).
  • Cripto em Foco: A era de ganhos com criptoativos em uma “zona cinzenta” fiscal está terminando. A tendência é de total transparência, exigindo do investidor organização e controle (planilhas de preço médio, registros de transações, extratos).
  1. Reavalie a Eficiência Fiscal da Carteira: Com a tributação de dividendos, a diferença fiscal entre veículos de investimento muda. Reavalie a estrutura de seus investimentos com um consultor.
  2. Não Residentes: Atenção Redobrada: Se você recebe rendimentos do Brasil, o impacto da retenção na fonte sobre dividendos é direto. Verifique o que diz o tratado para evitar dupla tributação.

Conclusão

O recado do Judiciário, do Legislativo e do Fisco é simples: a era das assimetrias, das brechas e do planejamento fiscal baseado em “jeitinhos” está com os dias contados. O futuro da gestão patrimonial no Brasil é técnico, transparente e exige rigor documental.

Quem planeja antes paga menos custo de oportunidade e, principalmente, menos honorários de litígio no futuro. Como sempre digo aos meus clientes: uma boa estrutura patrimonial é aquela que passa incólume por cinco testes — a auditoria, o fisco, a sucessão, uma briga de família e uma mudança de governo. Para chegar lá, o caminho é um só: documentar, simular e executar no tempo certo.

Se você quer aproveitar e se mover para fazer o seu planejamento patrimonial antes dessas mudanças entrarem em vigor o momento é agora, após o dia primeiro de janeiro tudo pode mudar.

Então, entre em contato com o meu time e agende a sua consulta.

Abraços,

Roberto Campos – Contador

Competência

Como Blindar Lucros Acumulados Contra a Nova Tributação de Dividendos (PL 1.087/2025)

Empreendedores, investidores e a comunidade jurídica estão em contagem regressiva. Com a iminente sanção presidencial do Projeto de Lei (PL) nº 1.087/2025, o Brasil se prepara para dar adeus a uma era de isenção fiscal que perdurou por quase três décadas: a não tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos.

A paisagem tributária brasileira passa por uma metamorfose profunda, alinhando-se a diretrizes internacionais, em especial as da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que há muito recomendam a tributação da renda na sua origem. Este artigo detalha as mudanças que se avizinham, a janela de oportunidade crítica oferecida pela regra de transição e o imperativo da formalização societária para proteger o patrimônio empresarial.

O Fim da Isenção Histórica e a Nova Sistemática do PL 1.087/2025

Desde 1995, a distribuição de lucros e dividendos a pessoas físicas e jurídicas no Brasil goza de isenção total de Imposto de Renda (IR). Essa realidade, que se tornou um pilar do planejamento tributário e societário no país, tem data para acabar.

O PL nº 1.087/2025, aprovado pelo Congresso Nacional e agora em fase final de tramitação, reintroduz a tributação na fonte sobre essas distribuições, com vigência esperada para 1º de janeiro de 2026.

1.1. As Novas Alíquotas e Limites de Isenção

A nova sistemática estabelece uma tributação na fonte (antecipação) de 10% sobre o valor distribuído. Contudo, há regras específicas que merecem atenção:

  • Residentes Fiscais no Brasil: A retenção de 10% incidirá apenas sobre os montantes que superarem o limite mensal de isenção de R$ 50.000,00 por beneficiário.
  • Não Residentes Fiscais (Pessoa Física ou Jurídica): A tributação de 10% será aplicada sobre qualquer valor distribuído.

Essa mudança não apenas onera o fluxo de caixa do sócio/acionista, mas também impõe às empresas uma nova responsabilidade como fonte pagadora, exigindo um rigor contábil e documental sem precedentes.

A Janela de Oportunidade e o Imperativo Formal da “Blindagem Fiscal”

Reconhecendo o vasto volume de lucros acumulados pelas empresas sob a égide da lei antiga, o legislador criou um mecanismo de transição, uma espécie de “eclusa fiscal”. Este mecanismo, estabelecido pelos Artigos 6º-A e 16-A do PL 1.087/2025, permite uma manobra estratégica para proteger o capital já gerado.

Lucros Acumulados: Isenção Condicional

O ponto central da regra de transição é que os lucros ou dividendos apurados até o ano-calendário de 2025 podem manter o status de isenção fiscal, ou seja, a alíquota zero.

Contudo, a isenção não é automática nem perpétua; é estritamente condicional.

Para que o direito adquirido à não tributação seja “travado” e estes valores sejam blindados contra o novo imposto de 10%, é indispensável cumprir dois requisitos formais até o limite duro de 31 de dezembro de 2025:

  1. Deliberação Formal (O Ato Estratégico): É mandatório que os sócios da empresa deliberem e aprovem formalmente a distribuição desses lucros acumulados. O fato gerador da isenção está indissociavelmente ligado a este ato societário formal.
  2. Registro Público (Eficácia Contra Terceiros): Esta deliberação deve ser formalizada em uma Ata de Reunião ou Assembleia de Sócios e devidamente registrada na Junta Comercial do Estado antes do final do ano. A Ata registrada confere eficácia contra terceiros, incluindo o Fisco.

A Importância da Ata como “Ponte” Fiscal

O instrumento da Ata de Reunião de Sócios Extraordinária assume um papel crucial. Ela se torna a “ponte” que carrega a isenção através da fronteira do ano-calendário 2025/2026.

Ao aprovar a distribuição em 2025, o lucro contábil que antes compunha o Patrimônio Líquido da empresa é legalmente convertido em uma obrigação da empresa para com o sócio, e essa transformação é o que preserva a isenção para o futuro, mesmo que o pagamento efetivo ocorra em 2026 ou em anos subsequentes (observando o cronograma estabelecido na própria Ata).

Conteúdo da Ata e Segurança Jurídica: O Diferencial da Expertise

A eficácia da blindagem fiscal reside na qualidade e no conteúdo estratégico da Ata. Não se trata de um simples documento administrativo. Para ser robusta contra futuras fiscalizações da Receita Federal, a Ata deve atender a rigorosos ditames legais e contábeis.

Requisitos de Conteúdo Estratégico

É essencial que a deliberação na Ata contemple:

  • O Quantum Determinado: A Ata deve especificar o valor exato, líquido e certo dos lucros acumulados que serão distribuídos, demonstrando a liquidez e certeza do crédito do sócio.
  • Compensação de Prejuízos: É fundamental que o processo inclua a verificação da existência do lucro contábil e a compensação de eventuais prejuízos acumulados.
  • Cronograma de Pagamento: Deve ser estabelecido um cronograma de pagamento, conferindo a certeza do crédito ao sócio e garantindo a robustez do ato societário.
  • Menção Expressa aos Dispositivos de Transição: Para blindar a operação contra futuras exigências fiscais, o documento deve mencionar expressamente os dispositivos legais de transição (Artigos 6º-A e 16-A do PL 1.087/2025).

O trabalho especializado de consultores e advogados está em garantir que o instrumento seja elaborado de acordo com a estratégia legal necessária, transformando um lucro contábil em um direito não tributável no futuro.

O Custo da Inação (O Risco de Não Agir)

O maior risco para o empresário é a falha em realizar a deliberação e o registro da Ata até o prazo limite de 31/12/2025.

  • Tributação no Futuro: Os lucros acumulados (Reservas de Lucros) não protegidos pelo regime antigo estarão sujeitos à nova tributação de 10% no momento em que forem distribuídos em 2026 e anos seguintes.
  • Impacto Financeiro Dramático: O custo de não fazer nada é quantificável e, para empresas com lucros acumulados de grande volume (por exemplo, valores superiores a R$ 8 milhões), o imposto de 10% pode facilmente ultrapassar R$ 800.000,00.

A elaboração e o registro da Ata representam, portanto, um investimento de conformidade de alto valor agregado, cujo Retorno sobre o Investimento (ROI) se materializa na proteção do capital contra uma perda desnecessária de liquidez.

Chamada Urgente para Ação

A janela de oportunidade fiscal é única e se fecha irrevogavelmente no final deste ano. A proximidade do recesso de final de ano das Juntas Comerciais e o alto risco de exigências burocráticas que possam empurrar o processo de registro para 2026 – o que destruiria a blindagem fiscal – tornam a ação imediata um imperativo.

Nós estamos mobilizados para fornecer a verificação contábil necessária e a redação jurídica de alta precisão do instrumento societário, garantindo todos os requisitos de conteúdo específicos para a blindagem fiscal.

Se você reconhece a urgência de proteger os lucros acumulados de sua empresa e quer entender o procedimento e o investimento necessário para essa operação crítica, não hesite.

Entre em Contato Comigo (WhatsApp +55 21 984360828) para Agendar uma Avaliação Estratégica, Obter uma Cotação ou Sanar Dúvidas sobre o PL 1.087/2025.

Sua segurança patrimonial e a preservação do capital dependem de uma decisão e ação antes do final de 2025.

Aguardo seu contato!

Abraços,

Roberto Campos – Contador Binacional

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O Leão Não Está Mais Brincando: Como Sobreviver ao Grande Reset Tributário Brasileiro e Blindar o Seu Patrimônio da Fúria Fiscal

Você precisa acordar!

O que está em curso no Brasil entre 2023 e o final de 2025 não é um simples ajuste de alíquotas. Esqueça o discurso de “simplificação”. Este período marca o momento de ruptura mais profundo e abrangente já vivenciado pelo sistema tributário nacional. O governo não está apenas trocando figurinhas; ele está orquestrando uma revolução fiscal completa, visando não só a estrutura de consumo, mas sobretudo a sua renda, o seu patrimônio, os seus investimentos offshore, e a sua sucessão familiar.

Para o observador atento – e você deve ser um – é imperativo entender que a dúzia de leis sancionadas neste interregno não são eventos isolados. Elas formam um mosaico legislativo intencional. O Brasil está migrando de um modelo regressivo, caótico e analógico para um sistema progressivo, não cumulativo, e, acima de tudo, digitalmente vigilante.

A janela para a adaptação estratégica está se fechando rapidamente. O “Ano Marco” de 2026, quando as novas regras de consumo e de IRPF entrarão em vigor, não é o momento de planejar; é o momento de colher os frutos (ou pagar o preço) da sua inação de hoje. O seu patrimônio está sob ataque, e a defesa começa com uma estratégia legal e proativa.

O Fim do Manicômio Tributário e o Início da Vigilância Digital OMNIPRESENTE

Durante décadas, operamos sob um sistema disfuncional, apelidado de “manicômio tributário”, cheio de cumulatividade, insegurança jurídica e guerra fiscal. A Emenda Constitucional nº 132/2023 rompeu esse nó górdio, mas substituiu o caos por uma ordem rigorosa e digital.

A Arquitetura do IVA Dual: Eficiência com Vigilância

A espinha dorsal da mudança é a reforma do consumo. Ela erradica cinco tributos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) e os substitui por três novos pilares:

  1. A CBS (Federal) e o IBS (Compartilhado): Estes formam o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) Dual. A grande promessa é a não cumulatividade plena. Se sua empresa comprou um bem ou serviço tributado para sua atividade econômica, você tem direito a crédito integral. Isso é vital para desonerar investimentos e exportações de forma inédita. O planejamento agora é maximizar créditos, não procurar brechas.
  2. O Imposto Seletivo (IS): O famoso “imposto do pecado”. Sua função é extrafiscal, punindo o consumo de produtos prejudiciais (cigarros, álcool, veículos poluentes, extração de minerais), introduzindo a variável de saúde e sustentabilidade na precificação.

O Controle Total: Comitê Gestor e o Split Payment

A complexidade da transição é brutal, mas a ameaça real para o seu fluxo de caixa e gestão reside na nova mecânica de controle.

  1. O Comitê Gestor (CG-IBS): Acabou a palhaçada de lidar com 27 secretarias estaduais e milhares de fiscos municipais. O CG-IBS centralizará arrecadação, fiscalização e cobrança. Isso simplifica obrigações acessórias (uma única interface), mas cria um contencioso administrativo unificado. Se você brigar, a briga será nacional, e a jurisprudência será única.
  2. A Revolução do Split Payment (Pagamento Dividido): Esta é a guilhotina da inadimplência. Em qualquer transação eletrônica (cartão, PIX, boleto), o momento da liquidação financeira acionará a divisão automática: a parte correspondente ao tributo (IBS/CBS) será segregada e enviada diretamente para o cofre público. Apenas o valor líquido é creditado na sua conta. Isso é crucial: O dinheiro do imposto não transitará mais pela sua conta. Se você tinha o hábito de usar o capital de giro do governo, pare imediatamente. Isso elimina virtualmente a inadimplência declarada e reduz drasticamente a sonegação.

Paralelamente, o Cashback tributário (devolução de imposto para famílias de baixa renda) transforma a regressividade do IVA em progressividade efetiva. O fisco cobra de todos e subsidia quem precisa.

A Caçada Global – O Cerco ao Capital e o Fim das Rotas de Fuga

Se você é de alta renda ou tem patrimônio estruturado fora do Brasil, a Lei nº 14.754/2023 foi projetada para fechar as rotas de fuga. O governo sinalizou: você deve ser transparente e pagar a sua parte, agora.

O Fim do Paraíso Offshore e a Morte do Diferimento

A “regra de ouro” do planejamento internacional – acumular riqueza em Private Investment Companies (PICs) em paraísos fiscais e tributar apenas no momento da distribuição (regime de caixa) – morreu.

A nova lei impõe o regime de competência anual automática para controladas no exterior que detenham rendas passivas significativas ou estejam em jurisdições de tributação favorecida. Tradução: 15% de alíquota fixa sobre o lucro anual da sua offshore, mesmo que você não toque nesse dinheiro.

Se antes o diferimento era seu maior aliado, agora ele é seu inimigo. A mensagem é: transparência fiscal. O governo te deu uma janela (encerrada em maio de 2024) para atualizar o valor dos bens no exterior com alíquota reduzida (o step-up), mas quem perdeu essa oportunidade vai pagar o preço cheio.

Além disso, estruturas fiduciárias complexas como o Trust no exterior foram desmanteladas para fins fiscais, sendo o instituidor (settlor) ou o beneficiário considerado o titular dos bens. O fisco ignora a complexidade e vai atrás da titularidade real para cobrar impostos sobre herança e renda.

Fundos Exclusivos: O Come-Cotas Chegou para os Super-Ricos

No mercado doméstico, os fundos exclusivos desfrutavam de um diferimento que durava décadas, pagando imposto apenas no resgate. Isso acabou. A Lei 14.754/23 instituiu o famoso come-cotas” semestral (em maio e novembro) com alíquotas de 15% ou 20% sobre os rendimentos acumulados.

Essa medida não só equalizou as regras com os fundos de varejo, como também antecipou uma receita bilionária para a União. Se você usava esses fundos como veículo de acumulação com vantagem fiscal, é hora de recalcular e reavaliar a atratividade desses veículos.

O Ataque Mortal ao Planejamento Sucessório – O Cerco às Holdings

Você deve ter uma Holding Patrimonial Familiar. Não se trata de “jeitinho”; é uma estratégia de governança e proteção para evitar o inferno do inventário e a perda patrimonial na sucessão. Porque a Holding é melhor do que o inventário e o testamento, eliminando a litigiosidade e garantindo que o seu legado não se desfaça após um evento como o AVC do seu pai.

Mas o PLP 108/2024 mira diretamente nas vantagens que tornavam a holding a melhor ferramenta de sucessão.

  1. ITCMD Progressivo e Mandatório: A progressividade do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) será obrigatória. Estados com alíquotas fixas terão que tributar heranças maiores com alíquotas maiores. Prepare-se para pagar mais quanto maior for o patrimônio transferido.
  2. O Fim do Truque Contábil (Base de Cálculo a Valor de Mercado): Este é o golpe mais duro para o planejamento sucessório via holding. Historicamente, famílias transferiam imóveis para a holding e doavam as quotas aos herdeiros com base no valor patrimonial contábil (custo de aquisição histórico), pagando um ITCMD ridículo sobre um valor totalmente defasado. Acabou.

O novo regramento exige que, para participações em empresas não listadas em bolsa (como sua holding), a base de cálculo considere o valor de mercado dos ativos. Isso elimina a arbitragem entre valor contábil e valor real. O custo da sucessão aumentou exponencialmente, exigindo que você tenha laudos de avaliação robustos para defender o valor da sua operação.

O PLP 108/2024 também mira no ITBI em operações societárias, sugerindo maior liberdade para os fiscos municipais arbitrarem valores de mercado em integralizações de capital com imóveis. A documentação imobiliária da sua holding, que já era crucial para evitar que ela emperrasse, agora se torna uma muralha contra a arbitração fiscal.

O Confisco Seletivo – Imposto Mínimo para Milionários e Fim da Isenção Corporativa

O ciclo de reformas é completado pela reestruturação do IRPF (a partir de 2026) e pelo ataque a benefícios corporativos.

O Imposto Mínimo e o Fim da Isenção de Dividendos

A reestruturação do IRPF cumpriu a promessa de ampliar a isenção para a classe média (até R$ 5.000,00 mensais). Quem paga a conta? O topo da pirâmide.

A lei instituiu o “Imposto Mínimo” para pessoas físicas com rendimento anual superior a R$ 1.2mi. O contribuinte terá que arcar com uma alíquota efetiva mínima de 10% sobre sua “renda ampliada.”

Qual o golpe nisso? A “renda ampliada” inclui rendimentos que eram isentos ou tributados exclusivamente na fonte, como lucros e dividendos distribuídos. Se antes o super-rico pagava alíquotas efetivas irrisórias, essa distorção está sob ataque. Se o seu imposto efetivo for inferior ao mínimo estabelecido sobre a sua renda total (incluindo dividendos), você recolherá a diferença. Eles estão financiando a classe média drenando o seu caixa.

O Fim da Arbitragem de ICMS e o Ataque ao Lucro Corporativo

No ambiente corporativo, a Lei 14.789/2023 deu um golpe nos incentivos estaduais. Historicamente, as empresas excluíam subvenções de ICMS (crédito presumido) da base do IRPJ e da CSLL. Isso acabou.

A partir de agora esses valores passam a ser tributados, a menos que você consiga comprovar, com requisitos draconianos e habilitação prévia na Receita Federal, que o incentivo foi usado para investimentos de expansão ou implantação (CAPEX). Para muitas empresas, isso gerou um aumento imediato da carga tributária efetiva de aproximadamente 34% sobre o valor dos benefícios estaduais.

O Novo Paradigma: Transparência, Eficiência e Ação Imediata

O Brasil de 2026 será mais racional, mas o custo é uma vigilância fiscal onipresente, digital e interligada. A margem para o erro, para sonegar, ou para o planejamento baseado em “jeitinho” é praticamente nula. A Receita Federal está multando quem reside em outro país e não faz o procedimento correto de Comunicação de Saída Definitiva, e eles estão de olho na relação entre as declarações de IRPF e as holdings patrimoniais.

Você não derrota o Leão só com jeitinho. A preservação patrimonial dependerá menos de “engenharia tributária” focada em brechas e mais de eficiência operacional, governança familiar robusta e estratégias de localização.

É hora de parar de tomar decisões estúpidas.

Para vencer na vida, e na guerra tributária, você precisa se tornar uma pessoa OBSESSIVA por eficiência e proteção legal. A sua estratégia deve contemplar:

  1. Revisão Total da Holding: O custo sucessório aumentou exponencialmente. Seu planejamento deve ser refeito considerando o valor de mercado.
  2. Ajuste das Estruturas Offshores: O diferimento acabou; a tributação é automática. Se você tem patrimônio fora, reavalie a estrutura ou considere a Saída Definitiva do Brasil (que exige seguir 9 Passos Essenciais e comunicar a saída para evitar muita dor de cabeça!).
  3. Foco na Eficiência Operacional: Maximize créditos no novo IVA e garanta a conformidade digital do Split Payment.
  4. Estratégia de Localização: Se você está sendo maltratado pelo Leão, lembre-se: Vá Para Onde Você é Melhor Tratado. A globalização permite que você escolha onde a alíquota é mais justa.

Se antes o jogo era esconder, agora ele é sobre ser transparente, mas estrategicamente eficiente.

Não Espere a Fiscalização Bater à Sua Porta!

O governo já rebotou o sistema. O “reset” está em andamento, e o tempo é o seu inimigo mais caro.

Se você tem patrimônio, se tem uma holding ou se possui investimentos no exterior, você não pode mais adiar a avaliação profissional. A complexidade da transição de cinco tributos para um IVA Dual, o novo regime das offshores e o ataque à base de cálculo do ITCMD exigem conhecimento técnico de altíssimo nível.

Não confie a gestão do seu legado a quem só conhece a realidade antiga. Mentoria é a jornada! Você tem que se sentar na mesa certa!

A hora de agir é AGORA. Se você não pode vencer o Leão sozinho, procure quem já enfrentou a máquina fiscal e pode te guiar para pagar menos impostos legalmente. Não espere 2026 para descobrir que sua holding ficou cara demais, ou que sua offshore gerou uma dívida imprevista.

Entre em contato e agende uma sessão estratégica para blindar seu patrimônio. Transforme a ameaça do Grande Reset Tributário na sua maior vantagem competitiva.

Abraços,

Roberto Campos – Contador Binacional

1.2

O preço da falta de orientação: como um simples mal-entendido custou mais de US$ 70.000 em impostos, multas e juros

A Diferença entre Preencher Formulários e Planejar Vidas

Em novembro de 2023, Rafael chegou à Flórida com uma mala, uma família e um sonho: recomeçar a vida nos Estados Unidos, com mais segurança e oportunidades.

Nos primeiros meses, tudo era novidade: documentos, escola das crianças, casa nova, inglês no dia a dia. Imposto americano? Parecia um problema distante.

Quando fez a primeira declaração de IRS em 2024, referente aos poucos meses de 2023, ouviu o que muitos imigrantes ouvem:

“Você não teve renda nos EUA nesse período. Seu imposto é zero. Está tudo certo.”

Naquele momento, parecia mesmo que estava.

2024: quando o sucesso virou um problema silencioso

Em 2024, tudo mudou. Rafael trabalhou muito, fechou contratos, teve um faturamento de cerca de US$ 200.000 e, finalmente, sentiu que os EUA estavam dando certo para ele.

Até que chegou a temporada de impostos de 2025.

Amigos disseram:

“Fica tranquilo, é só pedir uma extensão. Você ganha mais seis meses para declarar.”

De fato, a extensão existe: o IRS permite estender o prazo de entrega da declaração até outubro, se o pedido for feito até abril. O que ninguém contou a ele é que essa extensão não vale para o pagamento do imposto: o imposto continua vencendo na data original, normalmente em abril.

Resultado? Quando Rafael finalmente entregou a declaração, lá no fim da prorrogação, descobriu que devia mais de US$ 70.000 somando imposto, multas e juros por atraso.

O impacto emocional: mais que um número no papel

Rafael descreveu o momento em que viu o valor devido como um soco no estômago. Não era só dinheiro. Era a sensação de ter feito tudo certo… e ainda assim ser “punido” por algo que ele nem sabia que existia.

O que ele não sabia é que, nos Estados Unidos, o sistema funciona no modelo “pay as you go”: Você deve pagar o imposto ao longo do ano, em pagamentos trimestrais estimados, se espera dever um valor relevante quando declarar.

Como ele não fez nenhum Estimated Tax Payment, acumulou:

  • Juros por não ter pago trimestre a trimestre
  • Multas por não ter pago até o prazo original em abril
  • Juros em cima das multas atrasadas

Aquele “vai deixando para depois” custou caro.

O algoritmo do YouTube e o encontro com a solução

Em meio ao desespero, Rafael fez o que muita gente faz hoje: foi ao YouTube buscar respostas. Pesquisou sobre “imposto nos EUA”, “multa do IRS”, “empresa no Brasil e declaração americana”…

Foi assim que ele encontrou um dos vídeos explicando exatamente esse tipo de situação: imigrantes que erram não por má fé, mas por falta de orientação sobre as regras do IRS.

Ele entrou em contato, marcou uma consulta e, na primeira conversa, soltou a frase que resume a história de muitos brasileiros:

“Se eu tivesse visto seu conteúdo um ano antes, nada disso teria acontecido.”

A surpresa que ninguém quer: as empresas no Brasil

Ao revisar a declaração de Rafael, apareceu outro problema – ainda mais perigoso.

Ele era sócio controlador de empresas no Brasil, com lucro relevante. Nada errado em ter empresas no Brasil, mas havia um detalhe: nada disso constava na declaração americana.

Como residente fiscal nos EUA, Rafael passou a ser tributado pela renda mundial.

O sistema não permite que você declare o que ganha no Brasil na declaração para Receita Federal do Brasil e o que ganha nos EUA para o IRS. Você declara o que ganha no mundo todo na declaração para o IRS e tem que dar saída definitiva do país no Brasil. Senão, você corre o risco de ser bitributado e acabar pagando muito mais imposto do que deveria.

Com isso as empresas brasileiras dele se enquadravam como CFC (Controlled Foreign Corporation), o que exige reportar e, muitas vezes, tributar lucros mesmo quando não distribuídos, a depender das regras de Subpart F e GILTI.

Além disso, a lei obriga, em muitos casos, a entrega de formulários internacionais, como:

  • Form 5471 – para participação em certas empresas estrangeiras
  • Form 5472 – em operações com empresas estrangeiras relacionadas
  • FBAR (FinCEN 114) – para contas no exterior acima de determinados valores
  • FATCA / Form 8938 – para ativos financeiros fora dos EUA

A omissão desses formulários pode gerar multas a partir de US$ 10.000 por formulário, por ano, podendo até aumentar se a falha continuar após notificação do IRS.

Ou seja: além dos US$ 70.000 já devidos, Rafael ainda corria risco de multas adicionais significativas.

O processo de reconstrução: de caos a clareza

A partir daí, começou um trabalho em duas camadas: emocional e técnica.

No lado técnico, foi necessário:

  • Revisar e retificar declarações anteriores, incluindo os formulários internacionais necessários
  • Avaliar a possibilidade de abatimentos e reduções de penalidades
  • Organizar um plano de planejamento tributário internacional, alinhando EUA e Brasil para os próximos anos

No lado emocional, foi preciso algo tão importante quanto:

  • Tirar Rafael da sensação de culpa e colocar na posição de aprendizado
  • Mostrar que muitos imigrantes passam por isso
  • Reforçar que o problema não é “ser imigrante”, e sim não ter acesso à informação certa na hora certa

Rafael saiu dessa experiência com menos dinheiro do que gostaria, mas com algo que vale muito: a consciência de que, a partir dali ele teria controle sobre sua vida fiscal.

O que essa história tem a ver com você

Se você está lendo este newsletter, provavelmente também é brasileiro nos EUA, empreende, investe ou está construindo algo aqui.

Então vale se perguntar, com sinceridade:

  • Você sabe se já é considerado residente fiscal para o IRS?
  • Alguém já analisou se suas empresas ou investimentos no Brasil se encaixam como CFC ou exigem Forms 5471, FBAR, FATCA ou outros?
  • Seus impostos estão sendo pagos trimestralmente, de acordo com as regras de Estimated Tax?
  • O profissional que cuida da sua declaração entende de tributação internacional, ou apenas “faz imposto” padrão?

O que eu ouço: “mas meu preparador fez.”

Então, aqui vai um checklist rápido para você perguntar (sem vergonha):

  • Você tem participação em empresa no Brasil? O preparador perguntou isso?
  • Ele sabe o que é CFC/5471?
  • Ele pediu balanço, lucro, participação, controle, dividendos?
  • Ele falou de FBAR/Form 8938 se você tem contas/ativos fora?

Se ele não perguntou nada disso, eu sinto informar: ele está fazendo “imposto de americano local”, não “imposto de imigrante com vida internacional”.

Por que tantos brasileiros caem na mesma armadilha?

Porque o sistema americano é diferente do brasileiro em pontos-chave:

  • Aqui, o foco é em pagamento ao longo do ano, não só no acerto final
  • A tributação é sobre renda mundial, não só sobre renda local
  • A omissão de formulários informativos pode gerar multas altas, mesmo sem imposto devido

E, principalmente: Porque muita gente confiável para outras coisas não é especializada em cross-border taxation.

O problema não é você. O problema é tentar navegar um sistema complexo sem mapa, sem bússola — e sem alguém que fale as duas línguas: a do Brasil e a do IRS.

Você não precisa ter dois profissionais cuidando do teu imposto de renda, basta um, desde que ele seja um profissional experiente em cross-border taxation, e isso o meu escritório faz por você.

Um convite direto: não espere a carta do IRS chegar

Histórias como a do Rafael não são exceção. São mais comuns do que parecem — só não são contadas em público.

Se você:

  • mudou para os EUA nos últimos anos,
  • teve renda alta em 2024/2025,
  • tem empresa no Brasil (ou investimentos/contas fora),
  • pediu extensão e pagou depois,
  • ou simplesmente quer dormir sem essa pedra no travesseiro…

Por isso, a proposta é simples: Se você tem renda, empresa ou patrimônio no Brasil e mora nos EUA, não espere descobrir um problema pela pior forma possível.

Eu reviso sua situação com foco em:

  1. calendário e pagamentos (pra você não pagar juros à toa),
  2. estimated taxes e planejamento do ano corrente,
  3. obrigações internacionais (5471/5472/FBAR/FATCA, quando aplicável),
  4. correções e caminhos de regularização se algo já ficou para trás.

Responda esta newsletter com a palavra “CHECKUP” (ou me chame nas minhas redes), e eu te digo quais informações preciso para uma triagem rápida.

Porque o pior imposto não é o imposto alto. É o imposto alto com multa, com juros, e com a sensação amarga de: “se eu soubesse, eu tinha evitado.”

E aqui eu digo na lata, com carinho e sem drama: ignorância fiscal, nos EUA, é cara. Conhecimento é desconto.

Na Umbrella.Tax, o foco é justamente esse: ajudar brasileiros nos Estados Unidos a regularizar, proteger e planejar sua vida fiscal, tanto aqui quanto no Brasil.

A moral da história

Rafael não perdeu dinheiro porque “quis burlar o sistema”. Ele perdeu porque confiou em informações incompletas.

Hoje, ele olha para trás e enxerga o episódio dos US$ 70.000 como um divisor de águas: foi caro, mas o colocou no caminho certo.

A pergunta é: Você vai esperar um susto para organizar sua vida fiscal, ou vai escolher aprender com a história dele e agir agora?

Se quiser dar o próximo passo com segurança, a Umbrella.Tax está aqui para caminhar ao seu lado. entre dois países precisa entender que omissão custa caro.

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Tio Sam e o Leão: O Cerco Global ao Seu Patrimônio e Como Não Ser Devorado em 2026

Se você vive nos Estados Unidos, mas ainda mantém um pé no Brasil – seja com uma conta bancária, um imóvel alugado ou aquela empresa que você deixou com sócios – saiba que você está caminhando em um campo minado.

O que está em jogo aqui não é apenas “preencher um formulário”, é a proteção do legado que você construiu com suor e sacrifício.

Muitas pessoas acreditam que, por estarem na terra da liberdade, estão invisíveis aos olhos do fisco. Ledo engano. O cerco fechou. De um lado, o Tio Sam (IRS) quer a sua parte sobre sua renda global, do outro, o Leão brasileiro continua à espreita, especialmente se você cometeu o erro crasso de sair do Brasil e não comunicar a saída definitiva.

Para vencer na vida e proteger sua riqueza, você precisa se tornar uma pessoa OBSESSIVA com a sua conformidade fiscal. Não dá para derrotar esses dois gigantes com “jeitinho”.

É hora de parar de tomar decisões estúpidas e entender você precisa se sentar na mesa certa para não ver seu patrimônio ser drenado por multas e impostos desnecessários.

Abaixo, detalho o plano para o seu Planejamento Fiscal 2026, integrando a realidade dos ativos no Brasil com as obrigações nos EUA.

1. Ataque à Tributação: Use a Lei para Pagar Menos Impostos (IRA e HSA)

O governo sempre quer a sua parte, mas ele também deixa algumas portas abertas para quem é inteligente. Se você quer pagar menos impostos legalmente, precisa usar as ferramentas de diferimento fiscal que o sistema americano oferece.

  • A Janela do IRA: Você tem até 15 de abril de 2026 para fazer contribuições para sua conta de aposentadoria individual (IRA) e deduzi-las no imposto de 2025/26. O limite é de $7.000 (ou $8.000 se você já passou dos 50 anos). Isso não é apenas “poupança”, é uma estratégia para reduzir sua base tributável hoje.
  • Novidade SECURE 2.0: Se você está naquela fase da vida entre os 60 e 63 anos, o limite de contribuição “catch-up” subiu para $11.250 em planos como o 401(k). É a chance de acelerar sua proteção patrimonial antes que o fisco coloque as mãos nesse capital.
  • HSA (A Blindagem da Saúde): As contribuições para Contas de Saúde (HSA) feitas até abril de 2026 também podem ser deduzidas da sua renda. Com limites de até $8.550 para famílias, essa é uma das formas mais eficientes de acumular riqueza com tripla vantagem fiscal.

Dica do Roberto: Se a sua renda permitir, você ainda pode buscar o Saver’s Credit, recebendo até $1.000 de volta apenas por ter a disciplina de poupar para o futuro. É o governo te premiando por não ser negligente com suas finanças.

2. O Perigo Oculto: FBAR, FATCA e o Pesadelo das Contas no Brasil

Aqui é onde a maioria dos brasileiros nos EUA “tropeça e cai”. Eles acham que o IRS nunca vai saber daquela conta no Itaú ou no Bradesco. Pare de ser ingênuo. A troca de informações entre países é uma realidade tecnológica e implacável.

Como residente fiscal nos EUA, você tem a obrigação de reportar seus ativos financeiros globais. Se você ignorar isso, as multas não serão apenas “salgadas” – elas podem ser confiscatórias e destruir décadas de trabalho.

  • FBAR (FinCEN Form 114): Se a soma de todas as suas contas no Brasil ultrapassou $10.000 em qualquer momento de 2025, você é obrigado a declarar. Note bem: não é o saldo final do ano, é o pico de saldo em qualquer dia do ano.
  • FATCA (Formulário 8938): Dependendo do valor total dos seus ativos, você precisará anexar este formulário à sua declaração de renda.
  • O Fantasma da CFC (Empresas Brasileiras): Se você possui participação em empresas no Brasil, entra em um terreno de regras complexas (Formulários 5471 e 5472) e pode ser tributado sobre lucros que você sequer distribuiu (o famigerado GILTI).

Por que isso importa? Porque a sua empresa no Brasil pode se tornar um problema se não for devidamente reportada nos EUA. Erros na sua declaração pessoal podem prejudicar a sua estrutura sucessória, criando uma insegurança jurídica que você não pode se dar ao luxo de ter.

3. Gestão de Negócios: LLCs, S-Corps e Decisões Difícieis

Para quem empreende nos EUA, a estrutura societária é a sua primeira linha de defesa. Vejo muitos donos de empresas cometendo erros básicos na gestão de suas S-Corps.

  • Payroll vs. Draws: Se você é dono de uma LLC você tributa 100% do resultado na pessoa física como renda de self-employment, já com uma S-Corp, se você só faz “retiradas” (draws), você está perdendo dinheiro e atraindo a atenção indesejada do IRS. Por isso, optar por uma S-Corp e pagar-se um salário formal (W-2) permite deduzir esse valor como despesa comercial, reduzindo o lucro tributável. É o básico que muitos negligenciam por pura falta de orientação correta.
  • Deduções Estratégicas: Cada milha rodada a trabalho vale 70 centavos em 2025. Seu Home Office também rende deduções. Se você não é OBSESSIVO com esses controles, você está, literalmente, deixando dinheiro na mesa do governo.

4. O Cerco Sucessório: Da Holding ao Inventário

Muitos brasileiros mantêm bens no Brasil sob a justificativa de que “o patrimônio está seguro lá”. Mas você já pensou no que acontece se algo te ocorrer hoje? Eu já vi famílias serem destruídas porque o patriarca não planejou a sucessão e o inventário travou tudo.

A Holding Patrimonial é, sem dúvida, melhor do que o inventário e o testamento. Ela evita que sua família caia nas garras de um processo lento e caro. No entanto, se você mora nos EUA e tem uma holding no Brasil, a documentação imobiliária precisa estar impecável. Se os imóveis não estiverem regularizados, sua holding pode “emperrar” no momento em que seus herdeiros mais precisarem dela.

Além disso, lembre-se: se você sustenta pais ou parentes no Brasil, eles podem ser considerados dependentes para fins de deduções (até o limite de renda de $5.200). Planejamento sucessório e patrimonial é sobre cuidar de quem você ama enquanto você ainda tem o controle da situação.

5. Pagamentos Estimados: Não Deixe para a Última Hora

Se você recebe aluguéis no Brasil ou lucros de empresas, você tem renda sem retenção na fonte nos EUA. O prazo final para o pagamento estimado de 2025 é 15 de janeiro de 2026.

Atrasar esse pagamento é uma decisão que gera multas por sub-pagamento (underpayment penalties). Por que dar dinheiro de graça para o governo apenas por falta de organização? Organize seus extratos bancários brasileiros agora mesmo!

Conclusão: Vá Para Onde Você é Melhor Tratado (E Esteja em Dia!)

A filosofia é simples: Vá para onde você é melhor tratado. Se você escolheu os Estados Unidos para prosperar, honre essa escolha sendo impecável com as regras do jogo.

Sair do Brasil e não comunicar a saída definitiva pode te dar uma dor de cabeça monumental, com bitributação e multas da Receita Federal brasileira. Mas viver nos EUA e esconder o jogo do IRS é igualmente perigoso.

O mundo mudou. O sistema foi “rebotado”. A transparência é o novo padrão. O seu objetivo deve ser a eficiência máxima: pagar o mínimo de imposto dentro da lei e garantir que o seu patrimônio sobreviva para as próximas gerações.

Você vai continuar esperando o Leão ou o Tio Sam baterem à sua porta com uma notificação de multa? Ou vai assumir o comando da sua vida financeira hoje?

Não permita que a sua vida emperre por documentação mal feita ou que seus ativos no exterior se tornem um passivo jurídico. Você precisa estar com quem entende as nuances de quem vive entre dois mundos.

Pare de tomar decisões erradas por falta de orientação.

Organize seus documentos de 2025, revise sua estrutura empresarial, seja LLC ou S-Corp e garanta que cada centavo de imposto que você paga é estritamente o necessário.

Clique no link abaixo agora e agende sua revisão estratégica. Vamos blindar o seu patrimônio e garantir que você esteja no caminho certo para a liberdade financeira real.

WhatsApp: https://wa.me/21984360828

Já clicou? Agendou? Está esperando o que? O Leão ou o Tio Sam?

Abraços,

Roberto Campos – Contador Binacional

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IMPORTANTE: TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE (DISCLAIMER)

Esta comunicação tem fins meramente informativos e educacionais. As informações contidas aqui não constituem uma opinião contábil formal, aconselhamento jurídico ou garantia de resultados perante o IRS. As leis tributárias mudam constantemente e a precisão destas informações não é garantida.

O cliente é o único responsável pela veracidade e integralidade dos dados fornecidos para a preparação de sua declaração. A aceitação desta carta não estabelece, por si só, uma relação de representação em auditoria. Se for necessário aconselhamento específico para sua situação patrimonial ou empresarial, recomendamos agendar uma consulta técnica detalhada.